Alex Pretti? Jimmy Kimmel emociona-se: "Onde estão as vozes sensatas?"
- 27/01/2026
A apresentador norte-americano Jimmy Kimmel emocionou-se ao falar do assassinato de Alex Pretti, de 37 anos, morto a tiro por agentes do serviço de imigração (ICE), no passado domingo, em Minneapolis.
No seu programa "Jimmy Kimmel Live!", o comediante, de 58 anos, fez um monólogo sobre o futuro dos Estados Unidos, mostrando a sua indignação com a resposta das autoridades governamentais ao homicídio de Pretti.
"Passei o fim de semana, como provavelmente muitos de vocês, a olhar para o telemóvel e a sentir-me chocado e enojado com o que está a acontecer em Minneapolis", começou por dizer.
E acrescentou: "Uma atrocidade seguida de outra, cometida por um gangue de bandidos mal treinados, vergonhosamente liderados e mascarados. É isso que eles são. Bandidos que cometem atos vis, cruéis e até criminosos".
Kimmel referiu que "é repugnante de ver, é frustrante". "É como se todos fôssemos forçados a jogar uma jogo sem regras. Eles simplesmente inventam as regras conforme a situação", continuou.
"Vemos estes vídeos, onde um dos nossos compatriotas é executado pelo ICE e nem sequer admitem o erro", apontou.
Jimmy Kimmel, note-se, é um dos grandes críticos de Donald Trump e das suas políticas.
No seu monólogo, Kimmel referiu ainda o homicídio de Renee Good, que aconteceu no início de janeiro, também baleada por um agente do ICE e recordou que Alex Pretti tinha "licença" de porte de arma.
"Uma arma que Alex Pretti não tirou, não tocou, uma arma que lhe foi tirada por um dos agentes antes de ele ser morto a tiro pelos outros. [...] Eles atiraram 10 vezes numa enfermeira [Renee] e estão a dizer: 'Bem, foi justificado'. É esta a lei e a ordem pelo qual votaram?", questionou.
O comediante enfatizou ainda que "cada dia é uma pesadelo", explicando que ele e a mulher têm familiares em Minneapolis e que "estão com medo de levar os filhos à escola". "O plano é continuar a fazer isto em todas as cidades que não votaram em Donald Trump? Alguém acredita que isto seja uma boa liderança?", perguntou.
Jimmy Kimmel exigiu uma "investigação", tendo depois criticado a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, por "nos dizer que o vimos, não vimos". Referiu ainda que Noem estava a "manipular" os americanos em relação à morte de Alex Pretti.
"Para mim, este caso parece-me muito óbvio. Acho que podemos concordar neste. Está gravado em vídeo. Vejam. Faças as vossas pesquisas. Depois de fazerem isso, depois de formarem uma opinião própria, digam algo. Onde estão as vozes sensatas da direita? Não precisamos de concordar com tudo, mas vá lá", afirmou.
Wow! Jimmy Kimmel burst into tears while discussing Alex Pretti.
— CALL TO ACTIVISM (@CalltoActivism) January 27, 2026
This is one of the most devastating but absolutely poignant moments I’ve ever seen from him.
It’s nice to see what a real human response to this bullshit looks like. Watch:
pic.twitter.com/pGF99bMH8b
De recordar que, há uns meses, Jimmy Kimmil viu o seu programa ser suspenso na ABC - entretanto já regressou à antena - depois de ter feito comentários acerca da morte do ultraconservador Charlie Kirk. Na altura, o presidente norte-americano afirmou que a suspensão de Kimmel era "uma grande notícia para os Estados Unidos".
O que aconteceu em Minneapolis?
Pouco mais de duas semanas depois da morte de Renee Good - uma norte-americana de 37 anos que, a 7 de janeiro, foi baleada, pelo menos, quatro vezes por agentes do ICE [Serviço de Imigração e Alfândega] enquanto se ia embora do local onde estavam - mais uma pessoa morreu em Minneapolis. Desta vez, a vítima é um homem, que será a segunda pessoa a morrer às mãos destes agentes nesta cidade do estado do Minnesota, pelo menos desde o início do ano.
Tudo aconteceu durante a manhã (tarde em Portugal), quando agentes do ICE dispararam contra Alex Jeffrey Pretti múltiplas vezes. Imagens partilhadas nas redes sociais mostram que o homem, de 37 anos, foi cercado por várias pessoas. O grupo agrediu-o e ouvem-se, depois, os tiros.
Momentos antes de ser conhecida esta morte, o governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, tinha denunciado "mais um tiroteio horrível por agentes federais", pedindo ao presidente dos Estados Unidos, o conservador Donald Trump, para acabar com a operação anti-imigração e retirar "milhares de agentes violentos" daquele estado norte-americano.
Imagens contrariam teoria do governo dos EUA
A porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, disse à Associated Press (AP), através de mensagens de texto, que a pessoa tinha uma arma de fogo com dois carregadores, alegando que os agentes teriam agido em legítima defesa.
Há, no entanto, testemunhas oculares, família e autoridades que dizem que Alex Pretti não estava armado, contrariando assim a versão da administração de Trump.
Entretanto esta segunda-feira, dia 26 de janeiro, o presidente norte-americano afirmou que está a ser investigada a morte de Alex Pretti e demonstrou disponibilidade para retirar os agentes da cidade, informou hoje o Wall Street Journal (WSJ).














