Alcácer do Sal reclama "verba considerável" para reabilitar danos
- 11/02/2026
"Vamos reivindicar ao Estado que venha ao terreno e comece a verificar o que temos destruído em termos de estradas, acessos e edifícios municipais, além das empresas, espaços comerciais e habitações familiares", afirmou à agência Lusa a autarca.
Clarisse Campos considerou que, perante a catástrofe que atingiu Alcácer do Sal, será preciso atribuir ao concelho "uma verba considerável", que não especificou, para a reabilitação das infraestruturas e equipamentos danificados.
"Os apoios que estão a ser divulgados [pelo Governo] são completamente irrisórios para a situação de calamidade e de tragédia que temos no concelho", frisou, insistindo que será necessário "muito dinheiro para se conseguir reabilitar tudo".
Segundo a presidente do município, além dos danos causados pelas inundações em empresas, espaços comerciais e casas, a própria câmara também regista prejuízos na biblioteca municipal, no edifício dos serviços técnicos e em estradas.
A autarca destacou a "enorme onda de solidariedade" que se gerou à volta do concelho, envolvendo equipas de voluntários e militares, entre outros, nos trabalhos de limpeza, e a atribuição de donativos em dinheiro.
Para os donativos, foi criada uma conta solidária pelo Atlético Clube Alcacerense, com o aval e apoio institucional do município, com vista a reunir fundos para apoiar quem perdeu os bens nas cheias das últimas semanas.
As doações podem ser feitas para a conta com o IBAN (International Bank Account Number, em português Número Internacional da Conta Bancária) PT50004560204041220854549.
De acordo com Clarisse Campos, a iniciativa inclui a criação de um regulamento e a constituição de uma unidade de missão, com especialistas nas áreas jurídica, contabilidade, arquitetura e engenharia, que vai acompanhar a atribuição dos donativos.
"Os donativos em dinheiro são importantes, porque o financiamento que o Estado já anunciou é manifestamente pouco para reabilitar tudo aquilo que ficou destruído", salientou.
Apesar da redução do caudal do rio Sado nos últimos dias, a Avenida dos Aviadores voltou a ficar inundada, esta manhã, devido à subida do nível da água provocada pelo período de maré cheia que coincidiu com as descargas das barragens.
Ainda assim, Alcácer do Sal tenta voltar, a pouco e pouco, à normalidade, com a reabertura das escolas na passada segunda-feira e a entrada em funcionamento de uma farmácia provisória, prevista para esta tarde.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.














