Alcácer do Sal: "Estamo-nos a preparar para um cenário nada favorável"
- 03/02/2026
"Vamos atingir a preia-mar, as barragens continuam a debitar e estamo-nos a preparar para um cenário nada favorável na frente ribeirinha da cidade", disse o vice-presidente deste município do distrito de Setúbal e vereador da Proteção Civil, em declarações à agência Lusa.
Durante a madrugada, com a subida do nível do Rio Sado, a água voltou a inundar a Avenida dos Aviadores e as autoridades tiveram de recorrer a bombas para retirar a água.
"A Autoridade Marítima [Nacional] trouxe mais três bombas e há a possibilidade de trazer mais duas", disse o vereador acrescentando que já tinha sido disponibilizada uma outra pela LisNave, que está operacional desde sexta-feira.
Assim sendo, trabalharam hoje quatro bombas, ao longo do dia, na zona mais afetada da cidade alentejana. Entretanto, após as 18:00, entrou em operação uma nova bomba da Autoridade Marítima Nacional (AMN), que triplica a capacidade de extração de água, constatou a Lusa no local.
De acordo com António Grilo, mesmo com o reforço da AMN, não estão a conseguir vazar a água da avenida, quando normalmente o conseguem fazer entre marés.
Por volta das 17:30 de hoje, o rio tinha subido até aos 3,60 metros. Já durante a madrugada, a preia-mar fixou-se nos 3,80 metros e a baixa-mar nos 60 centímetros, mas, como o nível do Sado não desceu, não atingiu essa quota e ficou nos 3,40 metros.
Na marginal da cidade, ao final da tarde, a Lusa observou que a água do rio começou a subir lentamente, estando muito perto de galgar a margem.
Questionado sobre um plano para deslocar moradores da zona ribeirinha, António Grilo afirmou que as autoridades estão preparadas para "evacuar casas e fazer a retirada de pessoas".
"Fizemos o contacto porta a porta, rua a rua, prédio a prédio, percebemos quem está em casa, quais são as dificuldades, as pessoas que já saíram para casa de familiares", relatou.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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