Agente de Haaland abre livro: "Pensava que eras uma prostituta do Brasil"
- 01/02/2026
Rafaela Pimenta, agente de craques como Erling Haaland (do Manchester City) ou Matthijs de Ligt (do Manchester United), concedeu, este domingo, uma extensa entrevista à estação televisiva britânica BBC Sport, na qual abordou diversos temas, começando, desde logo, pela maneira como o futebol continua a ser dominado por homens.
"Quando eu comecei a fazer isto, há anos, havia muito poucas mulheres em posições de tomada de decisões. Havia a Marina [Granovskaia], no Chelsea, mas, no geral, dava para contá-las pelos dedos das mãos. Aquilo que eu via era mulheres a trabalharem em clubes e a fazerem muitas coisas relacionadas com tomada de decisões, mas que não eram reconhecidas como tal", começou por afirmar.
"Era uma espécie de corredor, e era sempre a mesma coisa. Observação, área técnica, secretaria e tomada de decisões. Passavas por toda a gente e chegavas à última porta. Atrás dessa última porta estaria um homem", acrescentou a mulher que herdou o 'império' do italiano Mino Raiolia, aquando da sua morte, a 30 de abril de 2022.
"Ele dizia que eu era a única que lhe dizia que não, e, uma vez que todos os outros só queriam o dinheiro dele, diziam que sim aos projetos mais loucos. Eu pensei que ia durar cinco minutos. Acabou por durar 35 anos", completou.
"Tu existes mesmo. Eu pensava que eras uma prostituta vinda do Brasil"
Rafaela Pimenta assumiu, ainda assim, que o cenário do desporto-rei já foi pior: "Percorremos um longo caminho desde a primeira reunião que tive com um diretor desportivo, que me disse 'Tu existes mesmo. Eu pensava que eras uma prostituta vinda do Brasil', até ao ponto em que estamos hoje, mas muitos homens continuam a usar o género para de desequilibrarem".
"Eles podem falar nas minhas costas, para me fazerem sentir frágil ou que tenho menos poder", lamentou. Para ilustrar esta postura, recordou o beijo dado pelo então presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), Luis Rubiales, a Jenni Hermoso, após a conquista do Campeonato do Mundo de futebol feminino de 2023.
"Será que ele teria beijado [Lionel] Messi na boca ou na bochecha, quando lhe entregou um troféu? Se o tivesse feito, não teria sido despedido no momento? Não tem a ver apenas com o ato em si, que é tão chocante, mas sim com o facto de terem tomado tanto tempo para tomarem aquela decisão", atirou.
"Nalgumas pessoas, está tão entranhado que as mulheres são inferiores aos homens ou que as mulheres não percebem de futebol... Eles querem ser queridos contigo, mas, mesmo quando são queridos, estão a prejudicar-te. Eu não aceito isso. Já não estou a lutar apenas por mim - as pessoas respeitam-me o suficiente - mas pelas meninas que aí vêm", prosseguiu.
"Eu não quero que elas passem por aquilo que eu passei. Se eu puder fazer com que tudo seja um pouco mais fácil para elas, farei. Sou professora nos cursos de agentes da UEFA. As mulheres vêm ter comigo e perguntam 'Tens algum conselho?'. Sim. Não aceitem abusos. Não tens de sexualizar-te para seres alguém nesta indústria", rematou.
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