Adolescente morre um mês após incêndio na Suíça. Mortos sobem para 41
- 01/02/2026
O número de mortos na sequência de um incêndio num bar na estância de esqui de Crans-Montana, na Suíça, subiu para 41, após um adolescente de 18 anos morrer no hospital onde se encontrava internado.
"Um cidadão suíço de 18 anos morreu num hospital em Zurique a 31 de janeiro", indicou a procuradora do cantão de Wallis, Beatrice Pilloud, num comunicado citado pela BBC.
O incêndio, recorde-se, ocorreu na véspera da Ano Novo, no bar Le Constellation, em Crans-Montana. Além das 41 vítimas mortais, há registo de 116 feridos, a maioria dos quais adolescentes.
Na sexta-feira, o Gabinete Federal de Proteção Civil da Suíça informou à agência de notícias France-Presse (AFP) que, até segunda-feira, 44 feridos ainda estavam a receber tratamento em hospitais no estrangeiro, incluindo 18 em França, 12 em Itália, oito na Alemanha e seis na Bélgica.
Já o Ministério da Saúde de Wallis indicou que 37 feridos estavam em hospitais suíços na segunda-feira.
Uma investigação indicou que o incêndio no bar La Constellation, onde se encontravam sobretudo adolescentes e jovens adultos, terá sido desencadeado por faíscas de velas que incendiaram a espuma de isolamento acústico no teto da cave.
Um inquérito deverá ainda apurar as circunstâncias exatas do fogo, o cumprimento das normas de segurança por parte dos proprietários e as responsabilidades envolvidas, depois de o município de Crans-Montana ter admitido não realizar inspeções de segurança e incêndio no estabelecimento desde 2019.
Proprietários do bar sob investigação
O coproprietário do estabelecimento, Jacques Moretti, foi detido e esteve em prisão preventiva de 9 a 23 de janeiro, tendo sido libertado após o pagamento de uma caução de 200 mil francos suíços (cerca de 215 mil euros).
Tal como a mulher, Jessica Moretti, que permanece em liberdade, Jacques Moretti ficou sujeito a "medidas alternativas" destinadas a reduzir o risco de fuga.
Enquanto proprietários do bar, Jacques e Jessica Moretti são alvo de uma investigação criminal por homicídio culposo, ofensas corporais culposas e incêndio criminoso culposo.
Entre as medidas impostas contam-se a proibição de sair do país, a entrega de todos os documentos de identificação ao Ministério Público, a obrigação de apresentação diária numa esquadra da polícia e o pagamento da caução fixada.
Itália contra libertação de Jacques Moretti: "Ultraje à memória das vítimas"
Após a libertação de Jacques Moretti, a primeira-ministra, Giorgia Meloni, confessou a sua "indignação" e afirmou estar em causa um "ultraje à memória das vítimas".
"Estou indignada com a notícia (...) Considero-a um ultraje à memória das vítimas da tragédia da véspera de Ano Novo e um insulto às suas famílias", escreveu Meloni na rede social X.
Sono indignata dalla notizia della scarcerazione di Jacques Moretti, proprietario del locale Le Constellation di Crans-Montana. La considero un oltraggio alla memoria delle vittime della tragedia di Capodanno e un insulto alle loro famiglie, che stanno soffrendo per la scomparsa…
— Giorgia Meloni (@GiorgiaMeloni) January 23, 2026
Na mesma linha, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, afirmou "não ter palavras".
"Este ato representa uma verdadeira afronta à sensibilidade das famílias que perderam os seus filhos e que não tem em conta o seu luto e a sua dor", criticou.














