Acordo entre UE e Mercosul representa "oportunidade" para Portugal
- 17/01/2026
"É uma oportunidade para Portugal, temos de nos preparar, ser proativos, não nos podemos esquecer que é um novo mercado de 270 milhões, desses 212 milhões falam português com o Brasil. Temos muitos produtos como o azeite, os queijos e os vinhos, mas também as frutas e os legumes onde temos aí uma oportunidade. Também traz estabilidade, previsibilidade", sublinhou, em declarações à Lusa.
O acordo demorou mais de 25 anos de negociações e cria a maior zona de livre-comércio do mundo, num momento de crescente protecionismo global.
"É importante que as cláusulas de salvaguarda consigam ser explicadas. Os agricultores ficam mais protegidos com este acordo do que sem ele", sustentou José Manuel Fernandes.
O ministro da Agricultura e Mar esteve hoje em Berlim no Fórum Global para a Alimentação e a Agricultura (GFFA), a principal conferência mundial sobre o futuro da alimentação e da agricultura, subordinada este ano aos temas água e segurança alimentar.
"Consideramos que a gestão inteligente da água é crucial para a competitividade, para a coesão territorial, para a sustentabilidade ambiental", apontou.
"Temos um plano nacional que vai até 2040, uma estratégia, que é a 'Água que Une', em relação à qual vamos precisar de financiamento (...). É uma forma de aproveitarmos o que temos, e os recursos naturais, para tornarmos não só os investimentos que temos com previsibilidade em termos de água (...) mas também atrairmos novos investimentos", realçou.
José Manuel Fernandes, que participou numa reunião com mais de 60 ministros, fez questão de sublinhar que a água é "um dossier urgente".
"O investimento não é um custo, é uma mais-valia. Temos um bom exemplo em Portugal. O investimento no Alqueva está não só pago, como dá todos os anos cerca de 330 milhões de euros em impostos fruto da produção", adiantou.
José Manuel Fernandes visitou ainda as cinco empresas portugueses presentes na edição deste ano da "Semana Verde" de Berlim, que decorre no mesmo espaço que o Fórum Global para a Alimentação e a Agricultura.
"É um evento que tem milhares e milhares de pessoas e que poderá ser útil para as nossas empresas (...). Portugal estar presente com cinco empresas é positivo, mas temos um potencial que não está ali refletido", destacou.
A feira assinala nesta edição os seus 100 anos. Para coincidir com a "Grüne Woche", cerca de 5.000 pessoas, números avançados pela polícia, participaram numa manifestação em Berlim por uma agricultura mais ecológica e com maior bem-estar animal.
"O governo alemão faz uma política agrícola ultrapassada e põe em risco o nosso futuro. Queremos lembrá-lo da sua responsabilidade", declarou Jan Greve, porta-voz do movimento "Estamos fartos", num comunicado enviado à agência Lusa.














