A1 desabou e vai levar "várias semanas" a recuperar. Eis as alternativas
- 12/02/2026
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, admitiu, na quarta-feira, que serão precisas "várias semanas" para reparar o troço da Autoestrada 1 (A1) que desabou após o rompimento do dique nos Casais, em Coimbra. Significa isto que são de esperar constrangimentos na circulação nos próximos tempos - quais são as alternativas?
Brisa sugere A8/A17/A25 ou IC2
No seguimento do desabamento que se verificou na A1, a Brisa sugeriu aos automobilistas a utilização de alternativas à interrupção da autoestrada no sentido Norte-Sul junto ao nó de Coimbra Sul, ao quilómetro 191, através do corredor A8/A17/A25 ou o IC2.
Num comunicado enviado às redações, a concessionária admitiu que, "não sendo possível, neste momento, estimar o prazo de conclusão das obras de reparação", está empenhada em "minimizar transtornos" e que "poderão ser usadas como vias alternativas o corredor A8/A17/A25 ou o IC2".
A BCR - Brisa Concessão Rodoviária confirmou o abatimento de parte do pavimento da plataforma da A1, no sentido Norte-Sul, na sequência da rutura de um dique do Rio Mondego, e explicou que o abatimento ocorreu "cerca de três horas após o corte total da A1, feito de forma preventiva, no sublanço de Coimbra Norte e Coimbra Sul - entre os KM 198 e KM 189 - e não representou, em nenhum momento, qualquer risco para utilizadores e trabalhadores".
A rutura na infraestrutura foi motivada pelo rebentamento do dique e subsequente escavação do aterro junto ao encontro norte do viaduto C do Mondego, devido a um débito excecional de mais de 2.100 metros cúbicos de água por segundo, explica ainda a concessionária.
A Brisa fez saber que está a monitorizar o desenvolvimento da situação desde o dia 2, "com vistorias permanentes, e tem no terreno, neste momento, mais de 30 operacionais", estando a trabalhar em coordenação com as várias instituições no âmbito da proteção civil e autoridades nacionais e locais.
A A1 foi preventivamente encerrada pouco depois das 18:00 de quarta-feira em Portugal continental, nos dois sentidos, no sublanço entre Coimbra Norte e Coimbra Sul, na sequência da rutura do dique que canaliza o Rio Mondego.
Ministro diz que situação é "normal" face à "violência das águas"
Durante uma visita ao local, Pinto Luz sublinhou aos jornalistas "a velocidade e a violência das águas", que descreveu como "uma situação absolutamente anormal".
"Temos hoje [quarta-feira] 15 camiões com enrocamento para reforçar a quebra que surgiu. Amanhã de manhã, mais camiões vêm reforçar com enrocamento", disse Pinto Luz, citado pela emissora RTP Notícias.
O recurso a enrocamento, blocos de rocha compactados, "é a única coisa que nós podemos fazer enquanto as águas não descerem", admitiu o ministro.
Pinto Luz disse também que a fissura, no sentido norte-sul, "pode alastrar" para o outro sentido. O dirigente acrescentou que, "enquanto as águas não descerem não se pode fazer a intervenção de fundo".
"Serão seguramente semanas para conseguirmos que esta infraestrutura volte a estar ao serviços dos portugueses", disse Pinto Luz.
"O compromisso do Governo é de absoluto comprometimento com esta solução. Estamos com todos os meios mobilizados e não sairemos daqui enquanto não conseguimos com todas as equipas colocar outra vez a A1 em funcionamento", garantiu o ministro.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu na terça-feira, nos Hospitais da Universidade de Coimbra.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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