A embarcação artesanal que deixou PJ "surpreendida" (e cocaína no oceano)
- 25/01/2026
A Operação Adamastor, que se desenrolou nos últimos dias em alto mar, resultou na detenção de quatro pessoas, um venezuelano e três colombianos, na sexta-feira, quando o grupo foi intercetado pelas autoridades a mais de 200 milhas dos Açores.
Entre as imagens da operação e os detalhes dados pelas autoridades, que terão feito neste âmbito a maior apreensão de cocaína de sempre, e os 35 de 300 fardos desta droga que ficaram no Oceano Atlântico, a Polícia Judiciária revelou-se "surpreendida" com a quantidade de droga que estava a ser trazida da América do Sul para entrar nos circuitos de distribuição de "vários países" europeus.
Embarcação tem "tecnologia", apesar de ser "artesanal"
Ao longo dos últimos meses, este foi o 3.º submersível com estes propósitos detetado pelas autoridades, mas o que o distingue das outras duas operações era mesmo a quantidade que estava no seu interior.
"A quantidade em si acabou por surpreender-nos. Não estávamos, garantidamente, à espera de encontrar tanta droga nesta embarcação", revelou em conferência de imprensa na tarde deste domingo o diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da PJ, Artur Vaz.
Segundo o responsável da PJ explicou, este semi-submersível "não é arcaico", mas sim uma "construção artesanal" com muita tecnologia, que permite guardar elevadas quantidades de droga.
"É uma embarcação que tem a capacidade para atravessar o Atlântico de forma dissimulada", apontou, revelando que as próprias características desta embarcação dificultam o trabalho das autoridades. E explicou: "Apenas uma parte da embarcação vem à tona da água. Mesmo os materiais e pinturas colocadas tornam extremamente difícil [a deteção]. Confunde-se muito na água e em condições de mar adversas [como as que se verificaram durante a operação] tudo se tornou ainda mais difícil."
Reforçando que a quantidade de droga no interior foi de facto, "surpreendente", Artur Vaz sublinhou: " Ao longo de sensivelmente dez meses é o 3.º detetado e intercetado. Outros traziam quantidades menores, e de facto, é a primeira vez que nos deparamos com uma quantidade destas no interior de uma embarcação deste tipo. É por isso que ficámos surpreendidos pelo volume elevado de droga transportado."
Relembrando que o semi-submersível que afundou, tendo sido possível retirar as quatro pessoas da embarcação antes de acontecer, tinha compartimentos maiores, explicou o responsável da PJ, e por isso, tinha também maior capacidade para o transporte da cocaína.
"Nos últimos anos verificou-se um aumento significativo daquilo que é a produção de cocaína na América Latina e daquilo que é o consumo, também na Europa. Daí este aumento de tráfico", afirmou, classificando o mercado europeu como "lucrativo" para estas organizações de tráfico de droga.
Já na manhã deste domingo, a PJ emitiu um comunicado a explicar que a Operação Adamastor, como foi denominada, começou nos últimos dias na "sequência da estreita colaboração e articulação da Polícia Judiciária com autoridades dos Estados Unidos – DEA (Drug Enforcement Administration) e JIATF-S (Joint Interagency Task Force South), bem como do Reino Unido – NCA (National Crime Agency), no quadro do MAOC-N (Maritime Analysis and Operations Centre – Narcotics)". A operação contou ainda com o apoio do Departamento de Investigação Criminal dos Açores da PJ.
A investigação prossegue a cargo da PJ, em articulação com autoridades parceiras de outros países, no âmbito de um inquérito titulado pelo DIAP da Comarca dos Açores.















