A cirurgia robótica é nova esperança contra o cancro da próstata
- 30/11/2025
A saúde masculina esteve em destaque ao longo deste mês de novembro. Conhecido também como Movember, trata-se de um mês de alerta para os desafios da sáude dos homens. O cancro da próstata continua a ser um dos que mais preocupa. Contudo, existem novas esperanças, como é o caso da cirurgia robótica que também está presente em Portugal.
José Teixeira de Sousa, assistente hospitalar Graduado da ULS São João e Urologista no Hospital da Luz – Arrábida, revela a importância deste tratamento nos casos de cancro da próstata.
“A cirurgia robótica permitiu uma grande evolução no tratamento do cancro da próstata. Desde a chegada do sistema robótico da Vinci a Portugal, em 2010, estas intervenções são mais precisas, seguras e menos invasivas, o que implica internamentos hospitalares mais curtos e uma recuperação mais rápida do paciente”, explica.
A nova esperança contra o cancro da próstata
Este é um tipo de cirurgia que é indicada para pacientes com carcinoma da próstata localizado. “A decisão final deve basear-se numa avaliação individualizada - PSA, biópsia, imagem, risco de D’Amico - nas preferências do doente e na opinião da equipa multidisciplinar”, continua o médico.
José Teixeira de Sousa trabalha no ULS São João e Urologista no Hospital da Luz© ULS São João
Diz ainda que “a cirurgia robótica da Vinci apresenta várias vantagens técnicas. Em primeiro lugar, permite uma visualização 3D de alta definição do campo cirúrgico, que pode ser aumentada até dez vezes, o que melhora a identificação precisa de estruturas anatómicas e vasos”.
A Portugal, o sistema robótico da Vinci chegou em 2010. Uma das grandes mais valias está no facto de conseguir replicar os movimentos da mão humana. “A integração de instrumentos articulados facilitam a intervenção em espaços confinados e a realização de suturas e reconstruções complexas, o que é bastante útil em anastomoses, cirurgias reconstrutivas delicadas e permite dissecções mais rigorosas, com maior precisão e margens de resseção mais seguras.”
Desta forma, é possível conseguir que o paciente tenha menos perda de sangue, menos dor e até que os internamentos sejam mais curtos e com uma melhor recuperação. “A maioria dos pacientes tem alta entre 24 a 72 horas após a cirurgia, e regista uma recuperação progressiva da continência urinária e da função sexual, dependendo da idade e da preservação nervosa”, explica o especialista. Estes resultados funcionais são particularmente relevantes na qualidade de vida dos doentes, após a intervenção.”
Se este tipo de cirurgia for mais alargado, poderá trazer ainda mais benefícios ao pacientes. “A cirurgia robótica pode aumentar a sustentabilidade do sistema de saúde se for implementada de forma organizada, com volume adequado e boa gestão clínica, tendo em conta que estes procedimentos cirúrgicos implicam menos complicações e readmissões e, por isso, reduzem custos hospitalares”, continua o médico.
Estimativas apontam que possam existir cerca de 1,5 milhões de novos casos todos os anos. Já de acordo com dados da American Cancer Society, este é o tumor mais frequente em homens em pelos menos 118 países.
Segundo a Liga Portuguesa Contra o Cancro, durante o ano 2022, surgiram 7.529 novos casos de cancro da próstata. “É o tumor mais frequente nos homens e a terceira causa de morte oncológica em Portugal.”














